terça-feira, 27 de janeiro de 2009

MITRÍDATES VI EUPÁTOR (120 -63 a.C.) - PARTE I

Mitrídates VI Eupátor Dionísio, também conhecido como Mitrídates, o Grande, foi o rei do Ponto mais célebre e um dos mais formidáveis e bem sucedidos inimigos de Roma, havendo enfrentado três dos melhores generais romanos dos fins da República: Sila, Lúculo e Pompeu. Levou o Reino do Ponto ao seu apogeu e com ele sucumbiu.
Mitrídates VI (imagem ao lado caracterizado como Hércules) era filho de Mitrídates V do Ponto com Laodice VI, filha do rei grego da Síria, Antíoco IV Epífanes. Nasceu em 132 a.C. em Sinope. Quando da morte de seu pai (provavelmente assassinado por instigação da mãe), tinha cerca de onze/doze anos e, embora associado ao trono, a regência do Ponto ficou nas mãos de sua mãe, a qual parecia ser mais favorável ao seu irmão mais novo, Mitrídates Cresto. Temendo por sua vida, Mitrídates exilou-se na região montanhosa do Ponto; dedica-se à caça e aos estudos. Esse é o chamado período "heróico" de sua vida, onde adquirie força e resistência física; aprende idiomas e conhece sua terra e adjacências. Durante sua menoridade, os romanos retiraram do Ponto o domínio da Frígia Maior; foi o princípio da inimizade crescente de Mitrídates contra os filhos de Roma.
O contexto conspiracional da corte no Ponto parece ter levado Mitrídates a ingerir pequenas doses de veneno no decorrer de sua vida para que seu organismo adquirisse imunidade contra tentativas de envenenamento. Tal prática passou a ser chamada de mitridatismo. Em cerca de 115 a.C. retorna à Sinope onde logrou ascender ao trono lançando sua mãe na prisão; associou seu irmão Mitrídates Cresto ao governo assassinando-o depois. Casa-se com sua irmã, Laodice. Tinha cerca de 20 anos quando de sua ascensão e rodeou-se de conselheiros gregos. Diz-se que sua irmã-esposa também tentou envenená-lo; por fim, Mitrídates a mandou matar e teve muitas outras mulheres.
Abaixo, o Reino do Ponto nos primórdios do governo de Mitrídates VI em 100 a.C. onde el já controla a Cólquida e o Bósforo.



Mitrídates extravasou suas ambições querendo fazer de seu reino o poder dominante no Mar Negro e Anatólia. Esciluro, reis dos Citas, (imagem ao lado) procuara aumentar seu controle da região norte do Mar Negro atacando o Reino do Bósforo (atual Península da Criméia e adjacências) com a ajuda dos Roxolanos. O Rei Perisades V solicita auxílio a Mitrídates que envia uma expedição comandada por Diofanto, grande general e geógrafo prestigioso, que liberta a importante cidade de Quersoneso submetendo os Citas e aliados. O Reino do Bósforo prontamente rende a sua independência em troca das promessas de Mitrídates de protegê-los contra o Citas, os seus antigos inimigos. Após o retorno de Diofanto, Palaco (imagem abaixo), filho de Esciluro, lidera novo ataque juntamente com os roxolanos. Diofanto retorna novamente com cerca de 6000 homens e derrota tanto os citas como os roxolanos e seu rei Tásio que tinham um exército com um número de homens bem superior. Por fim, os citas e os roxolanos aceitam Mitrídates como seu chefe supremo. Sendo assim Mitrídates controla praticamente todo Mar Negro e a Estepe pôntica. O jovem rei então virou a sua atenção para a Anatólia, onde o poder romano estava em ascensão. A irmã de Mitrídates, Laodice, era esposa do rei da Capadócia, Ariarates VI. Por instigação do rei do Ponto, o nobre capadócio Górdio assassina o rei. Ladocice governa como regente e casa-se com o Rei Nicomedes III da Bitínia o qual partilha a Paflagônia e a Galácia com Mitrídates. Este percebeu que o sucessor de Nicomedes III, Nicomedes IV, dirigia o seu país a uma aliança contra o Reino do Ponto com a República Romana que se expande na Ásia. Quando Mitrídates tomou de Nicomedes o controle da Capadócia e o derrotou em uma série de batalhas, o último foi forçado a buscar abertamente a ajuda de Roma. Sendo assim em 90 a. C., Mitrídates passa a controlar tanto a Bitínia como a Capadócia com a ajuda do reino da Armênia. O rei da Armênia, Tigranes, o Grande, havia casado com a filha de Mitrídates VI, Cleópatra, e com essa aliança estabeleram a Armênia como potência no Oriente Médio e o Ponto na Anatólia.
Quando Mânio Aquílio, o comandante romano da Ásia Menor, chegou, Mitrídates cedeu ao pedido de Aquílio de retirar-se da Capadócia. Sua petição seguinte, que Mitrídates lhe desse parte de suas tropas, foi rejeitada. Então, o romano persuadiu a Nicomedes IV( imagem abaixo) a atacar o Ponto. Em 88 a. C., Mitrídates respondeu ao ataque de Nicomedes com um potente contra-ataque. Seu comandante, Arquelau, provavelmente genro de Mitrídates, derrotou ao exército bitínio na Batalha do Rio Amnias e ao exército romano, sob mando de Aquílio, na Batalha do Monte Scorobas. A frota romana do Mar Negro simplesmente se rendeu. Capadócia, Bitínia e a província romana de Ásia foram arrasadas e muitas antigas cidades gregas, como Pérgamo, Éfeso e Mileto que viviam insatisfeitas com o domínio romano receberam a Arquelau como um libertador. Mitrídates fazia uma propaganda de si mesmo como herdeiro de Alexandre, o Grande, e do rei persa Dario I; ao mesmo tempo que conservava sua herança iraniana apresentava-se como campeão do Helenismo contra a intromissão dos Romanos.
Abaixo, expansão do Reino do Ponto entre 281 a.C. até a primeira guerra mitridática (88-84 a.C.)

Quando Mitrídates chegou ordenou o assassinato de todos os romanos (e até quem falasse latim) que estivessem na Ásia. Segundo as fontes históricas, entre 80.000 e 100.000 pessoas foram executadas em umas jornadas conhecidas como as "Vésperas Asiáticas" (vesper em latim significa tarde). Só na ilha de Cós foram eles poupados. Em Éfeso, Rutílio, que constantemente se havia oposto as extorsões dos coletores de impostes romanos, foi protegido. L. Cássio achou asilo entre os habitantes de Rodes, que, com os de Magnésia, eram os únicos Asiáticos fiéis aos Romanos. Mitrídates foi pessoalmente sitiar a capital de Rodes, mas foram seus ataques repelidos. Estes acontecimentos forçaram a uma união irrevogável do destino destas cidades gregas asiáticas e de Mitrídades, pois estas sabiam que haveria uma revanche romana. Arquelau foi enviado à Grécia, colocando o filósofo Arístion como tirano de Atenas.O poder do Ponto extende-se sob a Hélade. A Macedônia não caiu sob o poder dos exércitos pônticos, pois o pretor Lúcio Sura conseguiu deter seu avanço na Beócia e na Tessália.
Abaixo, os territórios da República Romana e a extensão do Reino de Mitrídates e seus aliados quando da primeira guerra mitridática.


Em 87 a. C., o cônsul Lúcio Cornélio Sila(imagem abaixo), desembarcou no Épiro (Grécia ocidental) com cinco legiões e marchou sobre Atenas. Penetrando na Ática através da Beócia, Sila se juntou com a maior parte das cidades que se uniam a sua causa, destacando entre todas Tebas. A maior parte do Peloponeso o seguiria pouco depois de uma vitória mencionada por Pausânias e Memnon. Atenas, no entanto, se manteve leal a Mitrídates, apesar do terrível assédio a que foi submetida no inverno de 87-86 a. C. Finalmente Sila capturou Atenas em 1º de março de 86 a. C., porém Arquelau evacuou o Pireu e desembarcou na Beócia, onde foi derrotado na Batalha de Queronéia. Simultaneamente, Licínio Lúculo, legado de Sila, derrotava a frota mitridática na ilha de Tenedos.
No ano seguinte, Arquelau recebeu suficientes reforços de Dorilau para tornar a enfrentar Sila, porém voltou a ser derrotado na Batalha de Orcómeno. Na ocasião, Roma havia mandado também uma força sob o comando de Lúcio Valério Flaco, que desembarcou na Ásia, onde muitas cidades gregas se haviam rebelado contra Mitrídates. Flaco foi assassinado em Nicomédia na Bitínia num motim dirigido por Caio Flávio Fímbria que havia semeado descontendamento nas tropas por causa da severidade e avareza de Flaco. Fímbria tomou o controle do exército e derrotou as tropas de Mitrídates no rio Ríndaco e quase capturou Mitrídates em Pitane, o qual foi "ajudado" em seu escape por Lúculo a quem enfrentaria mais tarde. Apesar seu aparente sucesso militar Roma haveria de punir insubordinação de Fímbria. A Guerra Social em Roma, obrigava Sila a buscar a paz com o Ponto e Mitrídates já havia ordenado a Arquelau a ver essa possibilidade; no entanto, as condições de Sila eram muito pesadas. Então Mitrídates, forçado pelas circustâncias, encontrou-se com Sila na cidade de Dárdanos em 85 a. C. e firmou o Tratado de Dárdanos, que permitiu manter seu reino. Os termos do tratado obrigaram a Mitrídates ceder seus recentes territórios adquiridos na Grécia e suas ilhas, do mesmo modo que devia abandonar as províncias da Bitínia, Frígia, Paflagônia e Capadócia. Igualmente, Mitrídates devia pagar dois mil talentos de seu tesouro pessoal. Abaixo, moeda comemorativa de Sila das batalhas de Queronéia e Orcómeno.
Fímbria havia aterrorizado a população da Ásia que se aliara a Mitrídates ou apoiava a Sila. Consciente de que não poderia derrotar o grande general, Fimbria se suicidou, facilitando assim o assentamento da autoridade de Sila na Ásia, coisa que fez impondo uma indenização muito elevada junto com cinco anos de impostos "atrasados" às cidades asiáticas, deixando-as enfraquecidas por muito tempo. Sila viu-se forçado a retornar à Itália para enfrentar a ameaça de Caio Mário; a derrota de Mitrídates não fora, portanto, definitiva. Aproveitou a paz celebrada entre Roma e o Ponto para recuperar as suas forças e, quando o general romano Murena atacou o Ponto, Mitrídates revidou com um exército ainda maior, no que viria a ser a Segunda Guerra Mitridática(83 a 81 a.C.).
FONTE PRINCIPAL: Wikipédia. Versões em portugês, espanhol e inglês.

6 comentários:

  1. Maravilhoso Seu Blog!
    Difícil encontrar outro assim e em português na internet,falando sobre este periodo da história Romana e do Reino do Ponto...
    Mais uma vez Parabéns!

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  2. Agradeço e fico feliz em ter contribuído. Que Deus o abençoe ricamente.

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  3. ADMIRO MUITO SEU TRABALHO, MAIS QUE PARABENS.

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  4. Mitridates era louco

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    1. Não o vejo assim. Penso, todavia, que pelo bem de seu povo deveria ter parado de guerrear e não insistir, por orgulho e teimosia, num embate fadado ao fracasso,

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